Grupo Conserpa Enger

Cenário é favorável para a compra de imóveis

familiaEsqueça a bolha imobiliária. Os boatos de que os preços despencariam depois da Copa do Mundo, realizada no Brasil em 2014, ou com o agravamento da crise econômica enfrentada pelo País caíram por terra. É certo que os preços se acomodaram, mas continuaram subindo em 2015, ainda que, de maneira geral, abaixo da inflação – o que configura queda real dos preços. Porém, o recuo dos valores praticados pelo mercado não foi tão acentuado quanto o projetado pelas previsões feitas no decorrer dos últimos dois anos.

O mercado imobiliário já trabalhava com a perspectiva de que 2015 seria o ano do ajuste. Ou seja, depois do recente boom, impulsionado pelo crédito e pela facilidade de financiamento – mais acentuadamente entre 2010 e 2013 -, era previsível que haveria alguma acomodação em um contexto de desaquecimento econômico, o que aconteceu ao longo deste ano.

A alta da taxa de juros e as dificuldades impostas ao financiamento marcaram o ano de 2015. De janeiro a dezembro, a evolução da taxa de juros foi de 2,5 pontos percentuais, passando de 11,75% para 14,25% ao ano. Somado a isso, as consecutivas perdas líquidas no saldo da poupança impactaram diretamente na política de concessão de crédito da maior instituição bancária responsável pelo crédito imobiliário: a Caixa Econômica Federal, que, no segundo trimestre, elevou a taxa de juros do crédito imobiliário e reduziu o limite de financiamento tanto para imóveis novos quanto usados.

Com acesso mais restrito aos compradores, os preços, tanto para compra quanto para locação, começaram a ceder na maior parte das cidades avaliadas pelos indicadores do mercado. Segundo as análises coletadas pelo Jornal do Comércio junto a fontes do mercado imobiliário, as tendências para 2016 são de pouca mudança nesse cenário, mas a perspectiva continua sendo a de queda, o que favorece o comprador. “O ano de 2015 foi de acomodação. Agora, 2016 será o ano do comprador, que vai adquirir imóvel, e mesmo os inquilinos encontrarão boas condições de locação”, diz o presidente do Sindicato Habitação (Secovi-RS), Moacyr Schukster.

As análises apontam tanto para a manutenção do aumento do preço abaixo da inflação quanto para a queda nominal dos valores. A projeção mais pessimista é da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que aponta para a possibilidade de que, em 2016, sejam registradas quedas nominais de preço, de maneira geral, mas também no mercado imobiliário gaúcho.

Segundo economista da Fipe Bruno Oliva, a retração da demanda, observada em 2015 e que resultou em queda real nos preços, deve continuar a pressionar o mercado no próximo ano. “Nos últimos 12 meses, tivemos aumento dos preços, porém abaixo da inflação, e o efeito foi uma queda real acentuada. Em Porto Alegre, a dinâmica foi parecida”, explica, acrescentando que esse movimento foi identificado entre as principais cidades avaliadas pelo Índice Fipe-Zap, um dos principais indicadores de preços de mercado. “Para 2016, esperamos que a queda continue, com tendência de redução nominal.”

O economista ressalva, no entanto, que os preços não cederão tanto. “Neste ano, os preços vêm subindo pouco, mas vêm subindo. Já para 2016, a perspectiva é de queda dos preços, mas não será muito acentuada.” De acordo com Lucas Vargas, vice-presidente executivo do VivaReal, portal imobiliário que também gera indicadores de mercado, a lógica que deve reduzir preços no próximo ano deve ser ditada pela urgência do vendedor. “As pessoas que estavam anunciando imóveis para venda em 2014 tinham expectativa de fechar negócio, mas esbarraram no problema da liquidez que identificamos em 2015”, avalia. “Com isso, surgiu a oportunidade para os compradores que tinham dinheiro para comprar à vista”, continua, citando que as incorporadoras, também enfrentando a falta de liquidez do mercado, acabaram oferecendo melhores condições para compradores e investidores.

Esse contexto levou a uma retração do PIB da Construção Civil de 8,4% no acumulado do ano (até o terceiro trimestre de 2015), segundo análise técnica do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS). O estudo mostra que, no Estado, o recuo foi de 6,2%. “Em 2016, devemos manter esses mesmo resultados”, projeta o presidente do Sinduscon-RS, Ricardo Sessegolo, que concorda que o comprador pode ser beneficiado nas negociações. Ajustado às demandas, oportunidades e revezes da economia, o mercado imobiliário deve oscilar em alinhamento com a conjuntura, que aponta para mais um ano de queda pela frente.

Da Redação, original Jornal do Comércio.

Compartilhe: